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Singelo Rascunho Sobre a Chuva

Por Cláudio Marques*

   Há muito que eu estava ansioso por escrever algo mesmo que singelo a respeito do ato da chuva e seu reflexo na imaginação humana, bem como na coloração do mundo. Neste intento de rascunhar a maravilha da chuva ficou de fora a explicação física de sua decorrência para ser enfatizado o caráter intrínseco do argumento cosmológico e suas implicações sintetizadas nas concepções deístas, cristãs, existencialistas, essencialistas (tradição metafísica).    Seguindo a tradição existencial e atribuindo negação a tudo o que é efêmero, conseqüentemente e tão logo, necessariamente, em decorrência da negação, atribuo valor essencial, e, portanto, de natureza, a tudo aquilo a que meus olhos vêem e no quais meus sentimentos “libertos”, vinculam-se, respondendo, positivamente, que tal e qual objeto ou fato corresponde à natureza humana como elevação do sagrado, e, portanto, impassível de perecimento. Assim é minha relação com o ato da chuva, no qual seu vislumbre me extasia de “leveza”, tornando a partir daí um mero espectador passivo de sua beleza, inerte diante das belíssimas gotas caindo do céu e molhando as árvores, pássaros e lavando o mundo com as esperanças, na posterior expectativa de que sua cessação tornará o mundo mais florido e belo.    A elegância de seus movimentos ora uniforme, ora disforme no ato de sua caída assemelha-se a um ordenado espetáculo de balé, seguido de maravilhoso som composto por sua ação.    Ao fim de seu percurso a água ainda em forma de gotas, cai sobre a terra e sua função a partir daí esta relativamente cumprida. Em processo posterior, transforma-se em forma volumosa, contrariando seu sentido inicial. Sua conseqüente transformação, porém, não a exime da condenação existencial decorrente do princípio da efemeridade. O que era expressão unitária tornou-se coletiva e servirá de sustento e alimento para a terra que dará vasão a vida que estava em gestação em seu interior, portanto, o primado do processo dialético é condição e não exclusivamente método; da antiga forma unitária à forma coletiva e sua posterior extinção.    Assim este processo dialético se dá com a chuva, bem como, infalivelmente, com toda a matéria; deste reconhecimento, configura-se nossa condenação existencial - digna de ser reconhecida -, ao menos que neguemos toda efemeridade, mesmo que em seu sentido, considerando que o sentido é superior à composição física e orgânica da vida.    Para encerrar em forma de paradoxo, gostaria de saudar a manifestação da chuva com sua implicação efêmera e dialética, bem como, com as manifestações de “aparente” beleza e milagre terreno, reconhecendo que na condenação efêmera a dignidade consiste no aperfeiçoamento diário e cotidiano preparando-se para a extinção.

*Cláudio Marques é estudante do 2º semestre de Ciências Sociais no ISCA Faculdades e um grande amigo.

December 14, 2005 | 3:26 PM Comments  1 comments

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Espiral

Gostaria de sentir toda energia do universo
fluindo, lentamente, por entre meus poros
alterando os valores das coisas
mostrando a essência da vida

É pena não termos acesso ao etéreo
da mesma maneira que temos a uma lata de refrigerante...

Já que o destino fica longe
vou aproveitando a viagem.

December 6, 2005 | 3:51 PM Comments  0 comments

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